Café de origem: entenda a procedência e a importância da rastreabilidade

Você sabe de onde veio o café que está na sua xícara?

Durante muito tempo, para grande parte dos consumidores, bastava escolher uma marca e decidir entre café em grãos ou moído.

Com o crescimento do interesse por cafés especiais, outras informações começaram a ganhar espaço nas embalagens: região, fazenda, produtor, variedade, processo e lote.

Esses dados ajudam a conhecer a procedência daquele café e aproximam o consumidor de sua história.

Mas alguns termos podem causar confusão.

Café de origem, rastreabilidade, microlote e Denominação de Origem, por exemplo, não significam exatamente a mesma coisa.

Entender essas diferenças ajuda a fazer escolhas mais informadas e, principalmente, a descobrir a diversidade existente no café brasileiro.

O que significa café de origem?

Quando falamos sobre a origem de um café, estamos falando sobre o lugar de onde ele veio.

Essa informação pode ter diferentes níveis de detalhamento. Em alguns cafés, encontramos apenas a região produtora. Em outros, é possível identificar município, fazenda, produtor e até um lote específico.

Conhecer a origem permite relacionar o café ao local e às condições em que foi produzido.

Mas é importante fazer uma distinção: informar a origem não significa, por si só, que o café possui uma certificação específica ou que pertence automaticamente a uma determinada categoria de qualidade.

É uma informação sobre sua procedência.

Origem e rastreabilidade são a mesma coisa?

Os conceitos estão relacionados, mas não são exatamente iguais.

A origem indica de onde o café veio.

A rastreabilidade está relacionada à possibilidade de identificar e acompanhar informações sobre aquele produto ao longo de sua cadeia.

Dependendo do café e do sistema utilizado pelo produtor ou pela empresa, a rastreabilidade pode incluir dados sobre lote, propriedade, processamento, beneficiamento e outras etapas.

Para o consumidor, essas informações ajudam a conhecer melhor aquilo que está comprando e tornam a história por trás da xícara mais transparente.

Café de origem é sempre café especial?

Não necessariamente.

Um café pode ter sua origem claramente identificada e ainda assim não atender aos critérios utilizados para classificá-lo como café especial.

Da mesma forma, informar fazenda, produtor ou região não funciona como garantia automática de qualidade.

Origem e qualidade são informações relacionadas, mas diferentes.

Por isso, ao escolher um café, vale observar o conjunto: procedência, características sensoriais, processamento, informações do lote e, quando disponível, sua avaliação de qualidade.

O que são Indicação Geográfica e Denominação de Origem?

Aqui encontramos outra diferença importante.

No Brasil, existem reconhecimentos oficiais relacionados à procedência de determinados produtos, chamados de Indicações Geográficas, concedidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI.

Entre suas modalidades estão a Indicação de Procedência (IP) e a Denominação de Origem (DO).

De maneira simplificada, esses reconhecimentos estabelecem uma relação entre determinado produto e seu território de origem, seguindo critérios específicos.

O Brasil possui regiões produtoras de café com Indicação Geográfica reconhecida.

Isso é diferente de simplesmente informar na embalagem que um café foi produzido em determinada fazenda ou município.

Por isso, é melhor evitar utilizar expressões como “origem controlada” de maneira genérica quando não existe uma certificação ou reconhecimento específico associado ao produto.

E os microlotes?

Como vimos no artigo sobre como escolher um bom café, microlote se refere a um lote relativamente pequeno, separado e identificado por determinadas características.

Essa separação pode estar relacionada a uma área da propriedade, variedade, período de colheita, processamento ou outros critérios utilizados pelo produtor.

Por isso, um microlote pode apresentar informações bastante detalhadas sobre sua procedência.

Mas novamente existe um cuidado importante:

microlote não é sinônimo de Denominação de Origem e também não representa, sozinho, uma certificação de qualidade.

São conceitos diferentes.

A região influencia o sabor do café?

O local onde o café é produzido pode contribuir para suas características, mas não atua sozinho.

Altitude, clima, solo, variedade, manejo, maturação dos frutos, processamento, secagem, armazenamento e torra são alguns dos fatores que podem influenciar o resultado final na xícara.

É justamente essa combinação que torna o universo do café tão diverso.

Por isso, afirmações como “quanto maior a altitude, melhor o café” simplificam demais uma realidade muito mais complexa.

A altitude pode influenciar o desenvolvimento dos frutos em determinadas condições, mas não funciona isoladamente como uma medida de qualidade.

O que observar na embalagem?

Ao escolher um café, veja quais informações estão disponíveis.

Você pode encontrar dados como região ou município, fazenda ou produtor, espécie e variedade, processo, lote, perfil sensorial e características da torra.

Nem todos os cafés apresentarão o mesmo nível de detalhamento, e isso não significa automaticamente que um seja melhor do que outro.

Essas informações funcionam principalmente como ferramentas para conhecer o produto e comparar diferentes experiências.

Com o tempo, você pode começar a perceber que determinadas origens, variedades ou perfis sensoriais aparecem com frequência entre os cafés de que mais gosta.

Conhecer a origem também é conhecer histórias

Existe ainda uma dimensão que vai além das informações técnicas.

Quando sabemos de onde vem um café, podemos conhecer um pouco mais sobre as regiões produtoras, as propriedades e as pessoas envolvidas em sua produção.

Para a Élla Felícia Caffè, essa conexão faz parte da experiência.

Nossa curadoria reúne cafés de diferentes produtores e origens, permitindo que cada nova escolha seja também uma oportunidade de conhecer sabores e histórias diferentes.

Não é preciso memorizar regiões ou dominar classificações.

Comece observando as informações da embalagem, experimentando diferentes cafés e percebendo aquilo que mais combina com o seu paladar.

Aos poucos, a origem deixa de ser apenas um nome escrito no pacote e passa a fazer parte da experiência de descobrir o café.

 

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